Fazer o que é certo
Um motoboy e duas vendedoras que só querem respeito

Longe de mim falar que faço tudo certo. Aliás, fiquei um tempo pensando se postava isso ou não, para não parecer demonstração de virtude. Ao mesmo tempo, acho uma pauta interessante de se levantar, pois alguém de boa fé pode fazer uma dessas coisas e nem se atentar ao fato de estar prejudicando alguém. Pelo menos nas primeiras duas histórias. Vamos a elas:
O sinal fechou e eu parei atrás da faixa de motoqueiros. Simples, certo? Só estou seguindo as leis de trânsito. Mas então, chegou um motoboy e parou na faixa (que é dele, afinal). Ele levantou a viseira do capacete, olhou para mim e sorriu com os olhos. Apontou para o chão, onde estava sinalizado seu lugar e agradeceu com as mãos. Ele simplesmente ficou muito feliz que alguém respeitou seu espaço. Fiquei sorrindo para ele e agradecendo com as mãos também, mas isso não deveria existir! Não fiz mais do que minha obrigação como cidadã.
Depois, fui até uma loja e procurei pela vendedora que havia me atendido algumas semanas antes pelo celular. Eu havia perguntado sobre uma peça de roupa, se havia naquela loja. Não pedi para guardar pois sabia que demoraria a ir até lá, e não seria justo segurar a peça em questão.
Na loja, ela me disse: muito obrigada por me procurar e não consultar outro vendedor. Ela já havia feito parte do trabalho, em verificar no estoque se havia a tal roupa. Ela merecia ter sua comissão, certo?
Isso me lembrou de outra história que aconteceu comigo anos atrás. Pedi a uma consultora da Zara para verificar no estoque se havia determinado acessório, pois constava no aplicativo que havia a peça naquela loja, mas eu não estava encontrando. Ela me pediu que voltasse em meia hora, pois o estoque daquela loja ficava fora dela. Quando voltei, ela me pediu mil desculpas, que não havia encontrado. Eu disse que tudo bem, me despedi e me virei para ir embora. Ela voltou a falar comigo em tom de alívio: moça, obrigada por não brigar comigo. E eu: como assim? Então ela me contou que existem diversas pessoas que vão até a loja pedindo por algo do estoque, e que quando tal coisa não é encontrada, descontam sua raiva nela. Fiquei abismada e com muita pena daquela moça, dava para ver nos olhos dela e no jeito que ela contava que era um desabafo de algo recorrente.
Acredito que muita gente que invade a faixa de motoqueiros e que não dá preferência ao vendedor que já te atendeu nem perceba o que está fazendo. Pelo menos eu prefiro acreditar que existam mais pessoas desligadas do que desinteressadas no outro propositalmente. Para o primeiro caso, basta prestar mais atenção. Para o segundo, só lamento.


Muito obrigada pela recomendação! :) Te indiquei para os meus leitores. Valeu!